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De volta às raízes

por Alexandre Dick
Postado em 04 de Outubro de 2017

A pescaria de piaparas costuma ser muito simples, mas é, ao mesmo tempo, muito fascinante

Volta e meia me pego lembrando das primeiras pescarias que fiz no Rio Paraná, ainda bastante jovem. Na época minha família havia mudado para a cidade de Guaíra no oeste do Paraná, cidade que é margeada pelo Paranazão (apelido carinhoso que os paranaenses dão a este imponente rio) e de onde eu conseguia avistar a enorme ponte Ayrton Senna da sacada do nosso apartamento. 
Mudança nunca foi fácil e uma das formas que tínhamos de enganar a saudade da outra cidade era pescando no nosso quintal. Em um  dos primeiros sábados que estávamos morando por lá, meu pai que estava trabalhando como bancário, recebeu um convite de seu amigo para ir pescar piaparas de fronte a cidade, sob a ponte. Como desde cedo me ensinou a gostar da nobre arte, sempre que podia me levava junto. 

Lembro-me como se fosse hoje da névoa sobre o rio cedinho quando saímos, das fortes corredeiras que cortavam as pedreiras e as ilhas que formavam um cenário lindíssimo, que me faziam imaginar os mais diversos tipos de peixes. 

Foi nessa pescaria que capturei a minha primeira piapara, aquele peixe de corpo fusiforme prateado, que não era muito grande, mas que brigava como um. Ver a alegria do meu pai estampada no rosto talvez tenha sido uma coisa que me marcou mais do que propriamente a captura daquele peixe. Ele talvez não saiba disso, e estará sabendo quando ler esta matéria.

Meu pai sempre foi enfermo pela pescaria de piaus, piauçus, piaparas e afins, e sem querer acho que aquela pescaria, querendo ou não, acabou marcando o início de uma paixão pra mim também. 

Sempre fui tarado na pescaria com iscas artificiais, mas confesso que nunca dispensei uma pescaria de ceva, de sensibilidade. Só troco quando meus peixes favoritos (dourados e tucunarés) estão comendo bem, e aí não tem como negar.

Fui crescendo e tive oportunidade de conhecer e pescar piapara em alguns lugares, todos eles no Paranazão em vários pontos distintos. Um dos pontos mais piscosos dele é sem dúvida na Província argentina de Corrientes, local em que encontramos várias pousadas e hotéis destinados ao turismo de pesca, em que é possível fazer excelentes pescarias de piaparas.

Já fazia algum tempo que eu queria voltar àquele lugar, e em meados de agosto recebi o convite dos amigos da Pousada La Regina para estar retornando, já que minhas últimas idas haviam sido pouco antes da inauguração da nova estrutura.

A pousada fica localizada em um ponto estratégico do Rio Paraná, no povoado de Puerto Rzepecki que está a cerca de 150 kms da Capital Corrientes. La Regina opera quase que sozinha naquela zona do rio, sendo que os outros vilarejos ficam cerca de 40 kms, tanto rio acima quanto rio abaixo.

As notícias da pesca de piaparas eram as melhores possíveis, rio em um nível bom, água levemente turva, no jeito. A época também favorecia, já que no invernos sempre fiz pescarias excelentes. Tiramos apenas dois dias para pescar por lá, já que em razão de bastante trabalho nossa agenda andava cheia, mas esperançosos de que seria tempo suficiente para fazer uma boa matéria.

Chegamos a pousada no fim de tarde sob bastante chuva e entrada de frente fria, mas que nada que pudesse abalar a nossa confiança. Nos acomodamos em nosso quarto e posteriormente seguimos para as dependências do restaurante, onde nos aguardava o grande amigo Marcos, proprietário do complexo e amigo de longa data. Um rápido papo, breve jantar e seguimos para nossos aposentos preparar as tralhas para o dia seguinte, que começaria cedo. Quem me acompanhou nessa pescaria foi o amigo Paulo Gaiardo da Hobby Pesca de Curitiba -Pr, pescador fanático e que ainda não havia pescado nessa região.
 

 

A íntegra desta reportagem você confere na Edição 274 da Pesca & Companhia!

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