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A fronteira final

por Fábio Zurlini
Postado em 07 de Maio de 2018

O Rio Paraíba do Sul é um famoso curso d’água que corta o estado de São Paulo até o estado do Rio de Janeiro. Já produzimos diversas matérias sobre seus muitos pontos de pesca e, no começo deste ano, retornamos para percorrer seu último trecho, com destino à nascente

Já sabíamos que seria difícil, pois precisaríamos contar com a boa vontade da natureza para concretizar a empreitada com êxito. 
 
Nossa base era a Pousada Mandizeiro, localizada em meio ao trajeto da pescaria. Poderíamos dormir, comer, abastecer o barco e, a partir dali, descer uma parte do rio, para depois subir até a divisa da barragem e sua nascente.  

Já na pousada, eu e o amigo (e guia local) Mário Ematne traçamos o plano. A ideia era subir o máximo, até o local em que o curso do rio é muito baixo. Depois, pescar a pé, dentro d’água, e também flotar pelas laterais mais fundas. 

Nossos alvos seriam a piabanha e a pirapitinga, pois tínhamos relatos sobre a presença destes peixes na região. O objetivo, mostrar as técnicas de pesca embarcada e desembarcada neste trecho do rio, que é pouco explorado. Tínhamos dois dias para fazer isso.  

Barco pronto, começamos nossa jornada pelo Paraíba do Sul. A ideia, para entender o comportamento dos peixes, era descer duas corredeiras e depois subir. A piabanha é uma espécie que troca muito de local, principalmente neste rio, pois há menos cardumes — nada igual à represa. Às vezes, este peixe está na parte baixa do curso d’água, ou em sua cabeceira.
 
Começamos a descida do Paraíba do Sul, rio de muitas pedras e correnteza forte. Só quem o conhece saberá navegar bem, ainda mais por esse trecho, que é muito perigoso. Aprendi com a ajuda do amigo Rodolfo, seguindo seus passos durante anos até poder me virar sozinho pelas partes mais difíceis.

A pescaria é feita com o barco à deriva, sem motor ligado (só o elétrico). Os alvos são as árvores caídas e pedras nas margens; pinchos feitos com precisão ajudam muito, pois as piabanhas dificilmente estarão no meio do rio. Elas costumam seguir as iscas, mas da margem para o meio. Acertar a isca no buraco certo faz toda a diferença entre pegar e não pegar. 

No caso da flotada, o motor elétrico é mais importante que o de popa, pois ele será nosso leme se precisarmos desviar de uma pedra ou corredeira. 

Neste dia, a descida do rio foi fantástica. Rendeu mais de oito capturas de peixes de ótimo porte, pois a população de piabanhas neste trecho do rio é muito boa — a tendência é ter muita ação durante a pescaria. 

As brigas e capturas foram emocionantes, já que o peixe usa a corredeira a seu favor e é necessário acompanhá-lo. Porém, há ocasiões em que ele resolve subir o rio, sendo necessário acionar o motor elétrico. 

Há dois acessórios que não podem faltar neste tipo de pescaria: motor elétrico e puçá. O segundo é muito útil, pois a piabanha dá saltos acrobáticos próximo ao barco, e ter um puçá com extensor ajuda bastante. 

Flotamos durante o dia inteiro neste trecho do rio e capturamos bons peixes, mas a parte de cima ainda nos aguardava. 

A íntegra desta reportagem você confere na Edição 281 da Pesca & Companhia!
 

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