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Pirarucu nordestino

por Saulo Nazion
Postado em 04 de Dezembro de 2017

Numa fazenda de camarão, o maior peixe de escamas de água doce toma conta e proporciona momentos de muita adrenalina

Pescar o tucunaré na Amazônia foi uma experiência única, que realizei em agosto desse ano. Esta aventura foi publicada na Edição de novembro (275) da revista. No entanto, existem ainda muitas outras espécies nas águas do Rio Negro que pretendia capturar, e uma delas é o pirarucu (Arapaima giga).

Este nome se originou de dois termos tupis: pirá, "peixe" e urucum, "vermelho", devido à cor de sua cauda. Maior peixe de escama da água doce do mundo, o pirarucu é um gigante que pode chegar aos 3 metros e pesar incríveis 200 kg. 
Durante a pescaria do açu em Santa Isabel do Rio Negro, ouvi relatos empolgantes do guia que nos atendeu, sobre os grandes pirarucus que habitam os lagos em Barcelos - cidade que fica entre Manaus e SIRN. Fiquei bastante curioso em relação à pescaria desse peixe. Voltei para João Pessoa e continuei matutando sobre o pirarucu, e a vontade de pescá-lo foi crescendo em mim cada vez mais... 

Dias depois do meu retorno, durante uma conversa despretensiosa num determinado grupo do WhatsApp, relatei meu anseio de voltar a Amazônia em 2018. Deixei claro que queria pescar exclusivamente o pirarucu. Para minha surpresa, recebi uma mensagem inbox de um amigo (que prefere o anonimato), me convidando para pescar pirarucu numa fazenda de camarão no Rio Grande do Norte.
 
Por um momento achei que ele estivesse brincando comigo, mas quando me enviou as fotos, vi que o papo era sério. Fiquei bastante surpreso e curioso. Comecei então a enchê-lo de perguntas, pois desconhecia a presença de Arapaima nesses locais. Foi quando ele me explicou que se tratava de uma fazenda de camarão de água doce no interior do estado.  No canal de abastecimento dos viveiros, o proprietário havia soltado, há seis anos, aproximadamente 50 jovens pirarucus, visando controlar a super população de pequenos peixes forrageiros que crescem e se reproduzem descontroladamente no canal por não terem um predador natural. 

O pirarucu tem papel fundamental no equilíbrio da fauna aquática desse tipo de carnicicultura. É um grande predador que se alimenta o dia todo e tal voracidade diminui o estoque de pequenos peixes no canal.  Sem o pirarucu, esses pequenos peixes reproduziriam livremente, suas ovas passariam pela tela de contenção instalada entre o canal e viveiro, eclodiriam nos tanques, e uma vez alevinos, comeriam os camarões ainda na fase larval. 

Após o convite inesperado, a chance em desafiar esse monstro aquático era real, e aconteceria bem antes do que poderia imaginar. Chamei para me acompanhar nessa inédita pescaria, o Rafael Marques, vulgo, Minhoca. Apesar da pouca idade, Rafa pesca muito e bem, sendo um dos companheiros de pesca favoritos quando o assunto é explorar um novo ponto. 

A íntegra desta reportagem você confere na Edição 276 da Pesca & Companhia

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