Dicas de Pesca

Como prevenir incêndio a bordo do barco?

por Vincent Daniello/ Revista Mariner Brasil
Postado em 09 de Outubro de 2017

Um guia especial para que você possa evitar graves acidentes

Como prevenir incêndio a bordo do barco? A combinação de líquidos inflamáveis, instalações elétricas e metais incandescentes da estrutura do barco são um prato cheio para o fogo. Rápido e impiedoso, é um dos maiores inimigos das embarcações. Quando percebemos, o barco está tomado e pouco pode ser feito. Quase tão grave quanto um naufrágio ou uma colisão catastrófica, o fogo pode apagar rapidamente seus motores e inutilizar seus sistemas elétricos CA (Corrente Alternada) e CC (Corrente Contínua). A chance de deixá-lo à deriva no oceano, gravemente ferido, sem balsa, EPIRB ou mesmo coletes salva-vidas é grande. 

No entanto, se você tiver o equipamento correto e acessível a bordo, um princípio de incêndio pode ser contornado, principalmente se o fogo surgir na casa de máquinas e a embarcação for equipada com um sistema de supressão de fogo automático. "Há pouquíssimos casos em que o fogo nessa área não possa ser controlado se o sistema de supressão está instalado da maneira correta, em boas condições e se for usado adequadamente", esclarece Ernie Ellis, presidente da Sea-Fire, fabricante de equipamentos de combate a incêndio. No restante da embarcação, as chamas podem ser combatidas com uso de extintores apropriados para o material em combustão. Verificá-los periodicamente e saber o que fazer faz toda a diferença entre viver um pesadelo ou conseguir um simples reboque para casa. 

Em iates menores do que 80 pés, Ellis afirma que normalmente as casas de máquinas são protegidas com sistemas de incêndio estandardizados, cuja manutenção é fácil. Ele aconselha que o indicador do medidor de pressão dos extintores seja sempre checado antes de deixar o cais. Esse indicador deve estar na faixa verde. Aproveite e cheque se há sinais de corrosão no cilindro ou em seus componentes. 

"No caso de sistemas de combate automáticos, não há nada que possa impedir o sistema de ser adicionado. Porém, isso não significa que o incêndio será efetivamente controlado", acrescenta. Isso porque motores geradores e ventoinhas elétricas tendem a empurrar o gás que combate o incêndio para fora do compartimento do motor antes que o material em combustão esfrie. Consequentemente, há entrada de oxigêneo na área, permitindo que o fogo reacenda. 

"A maioria dos sistemas tem um interruptor de pressão que, quando o extintor é acionado, desliga automaticamente tudo o que possa dispersar o gás." Para garantir sua eficácia, teste-o pelo menos a cada seis meses: com motores, geradores e ventoinhas funcionando, desconecte o fio do interruptor de pressão para simular uma descarga e veja se tudo o que deveria desligar realmente desligou. 

Esses sistemas possuem uma chave para burlar o interruptor de pressão. Por quê? Imagine a seguinte situação: o fogo surge quando você está próximo a uma arrebentação. O motor, então, é necessário para não pôr o barco a pique. Mas o sistema o desligou! Que fazer? Tentar acabar com o fogo, mas correr o risco de colidir? Ou ligar os motores, arrancar da região e, em seguida, apagar o fogo? A escolha não é fácil, claro. Contudo, nesse caso, é possível acionar a chave de emergência e ligar o motor para evitar um mal ainda maior. Aproveite o teste do interruptor para verificar se o de emergência está funcionando também. 

Para fazer a manutenção anual do sistema de prevenção a incêndios, faça uma inspeção visual cuidadosa e lembre-se de pesar os cilindros de armazenamento em uma balança calibrada. Dessa forma, você verá se o extintor está cheio e se o indicador é preciso. Quanto aos sistemas automáticos, a maioria possui também um acionamento manual. "Desconecte o cabo do cilindro do extintor e puxe a alavanca manual", sugere Ellis. Isso garante que o cabo não esteja corroído ou que esteja preso por fazer um trajeto inadequado. 
Todavia, por que incluir acionamento manual em um sistema automática quase infalível? "Se um incêndio começa na parte anterior da casa de máquinas, mas o sistema está montado na parte posterior, é possível que você veja fumaça antes do calor atingir (e disparar) o sistema", afirma. Portanto, disparar rapidamente o sistema manualmente acelera a extinção do fogo. 

Grandes embarcações

Ellis explica que nem sempre um sistema de combate estandardizado é a solução adequada. "Vale a pena considerar projetar um sistema sob medida, especialmente em iates acima dos 80 pés." Assim, tubulações e bicos distribuem o agente de combate a incêndios de maneira perfeita por toda a casa de máquinas. Nessa situação, os testes e a manutenção serão especificados durante a criação do sistema, geralmente em intervalos de um, dois, cinco ou dez anos. 

Iates maiores costumam ter meios mecânicos responsáveis por fechar as entradas de ar da casa de máquinas. "Em iates certificados, válvulas de fluxo de ar são instaladas nessas entradas", diz Eric Buendel, engenheiro da Delta "T" Systems. As válvulas também podem ser instaladas dentro de dutos de ar. "Quando o sinal de teste do sistema for acionado, certifique-se de que as ventoinhas serão desligadas e as válvulas, fechadas", avisa. Isso porque atuadores pneumáticos fecham automaticamente as válvulas, que permanecerão seladas até serem abertas manualmente, ao final do teste. "Se os atuadores forem elétricos, as válvulas serão abertas sempre que houver energia no sistema. Eles devem fechar firmemente, assim como os atuadores pneumáticos, o que pode levar cerca de 30 segundos", afirma Buendel. Inspecione os selos de borracha ou as cortinas metálicas das válvulas. Se os iates não possuem esses dispositivos, instalá-los pode ser uma boa ideia para conquistar um benefício adicional: eles reduzem a entrada de spray salgado na casa de máquinas.
 
Tipos de extintores
Há embarcações que dispensam um sistema automático de prevenção de incêndios, como, por exemplo, iates com mais de 100 pés, onde há tripulantes de serviço nas casas de máquinas. O presidente da Sea-Fire considera essa postura um retrocesso, assim como os antigos sistemas baseados em dióxido de carbono. Com 17% de concentração, o dióxido de carbono é tóxico e ataca o sistema nervoso em menos de um minuto, levando à morte quem o inalar. Em uma saturação de 34% — o mínimo necessário para um combate eficaz —, "você estará morto antes de perceber que o sistema descarregou", alerta Ellis. 

Felizmente, os novos agentes são muito mais seguros. "O dióxido de carbono desloca o oxigênio, essencial para que o fogo se propague. Agentes químicos, como FM-200 DuPont e Novec da 3M, esfriam o fogo e reagem quimicamente para impedir a combustão", ensina Ellis.

"Qualquer um desses agentes permite concentrações baixas o suficiente para que você ainda consiga respirar dentro do espaço". Contudo, há limites superiores que podem provovcar problemas de saúde. Ellis explica que, na hora de fazer um upgrade, não basta trocar um sistema de 10 kg de dióxido de carbono e substituir por outro de 10 kg com qualquer gás. "É necessário avaliar a ação do novo agente em cada compartimento considerado", completa. 

Ainda que pequenos e portáteis, extintores de pó químico também apagam o fogo. São baratos, eficazes e descartáveis. Substitua-os apenas quando a validade expirar — geralmente após seis, dez ou 12  anos —, se o ponteiro do medidor sair da faixa do verde ou caso aja sinais de corrosão ou danos físicos. "Na hora da compra, esses extintores são os mais baratos. Porém, prepare-se para dispará-los, pois o prejuízo é grande", avisa. A razão para o alerta é que o pó químico é altamente corrosivo e necessita de remoção cuidadosa. Para proteger sua cozinha, casa de máquinas o áreas próximas a equipamentos elétricos, Ellis sugere "extintores limpos", como os que usam gás FM-200. 

Ambos trabalham de maneira diferente. O pó químico deve ser pulverizado ao pé da chama. Se o foco está localizado em área de difícil acesso, como no console de comando, apagá-lo pode se tornar tarefa complicada. Os agentes limpos e o dióxido de carbono funcionam saturando o ambiente. Para combater o fogo no console de comando, por exemplo, basta colocar o bico do extintor na área e descarregar volume suficiente. Um extintor B-1, aprovado pela Marinha e com gás FM-200, satura 3,5 metros cúbicos, enquanto um tipo B-2 dobra o volume. 

Por outro lado, o pó químico seco adere ao material em combustão, ao passo que o gás dos extintores limpos se dissipa ao ar livre. "Em um convés, o pó químico provavelmente é mais eficiente", afirma Ellis. Extintores portáteis de gás e de pó químico podem exigir manutenção regular, principalmente os modelos cujos mecanismos de acionamento são metálicos. Uma simples inspeção e verificação de peso podem se tornar uma desmontagem completa da unidade. 

Plano para apagar o fogo
1 - Caso veja ou sinta cheiro de fumaça, peça ajuda imediatamente. Use o botão de emergência (DSC) em seu rádio VHF. Se registrado e instalado corretamente, o rádio alerta a guarda costeira e barcos mais próximos. 
2 - Vire o barco para deixar o fogo a favor do vento; vire a proa contra o vento se o incêndido é na popa. 
3 - Se um incêndio na casa de máquinas não ativou os sistemas automáticos, acione todos os backups manuais e desligue os motores e a ventilação. 
4 - Use extintores portáteis para apagar pequenos incêndios. Use todo o conteúdo e peque outro como reserva. 
5 - Coloque EPIRB, coletes e balsa salva-vidas em uma posição segura, longe do fogo. Armazene itens de segurança pensando sempre na possiilidade de um incêndio. Se possível, inclua coletes extras e unidade de posicionamento individual, como backup ao EPIRB. 
6 - Desligue válvulas de combustível, interruptores, disjuntores, geradores e baterias, mas jamais abra a casa de máquinas. Se o material que pegou fogo ainda estiver quente, deixar que gás de combate a incêndio escape vai reacender as chamas. 

Saiba mais sobre embarcações e segurança no site da Revista Mariner Brasil

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