Dicas de Pesca

Betaras são queridas na pesca de praia

por Vladimir Ferreira/ Fotos: Márcia Ferreira
Postado em 11 de Janeiro de 2017

Temos uma grande diversidade de espécies de peixes em nossas praias. Talvez esta não seja a mais cobiçada, mas sem dúvida alguma é uma das mais conhecidas, e pode ser encontrada em praticamente toda a costa brasileira.

Estou me referindo ao papa-terra, exatamente por ser encontrada em praticamente todo o nosso extenso litoral. Desta forma, recebe diversos nomes, tais como betara, pé-de-banco, perna-de-moça, sinhara, judeu, embetara e mais uma infinidade de outras denominações genéricas.

Elas são da família dos Sciaenidae, a mesma da corvina, miraguaia e pescadas. Temos duas espécies, a Menticirrhuslittoralis e a Menticirrhusamericanus. A primeira é encontrada mais em praias abertas, é bem clara e também a que atinge maior comprimento; já a segunda é mais arredondada, possui algumas manchas escuras no dorso e nas laterais, maxilares serrilhados e é encontrada em praias mais rasas, estuarinas e abrigadas. Ambas possuem duas características em comum: um pequeno barbilhão abaixo do maxilar inferior e a extremidade da cauda em formato de “S”, que as diferenciam de suas parentes.

São peixes que se alimentam mais ao fundo, principalmente de invertebrados que vivem próximo à linha d’água, tais como minhoca de praia, corrupto, tatuíra e sarnambi sem a concha, que podem ser utilizados como iscas. O camarão descascado também costuma ser uma boa opção; sendo assim, não exigem arremessos muito longos, porém é importante saber explorar os canais mais fundos.
Sem dúvida alguma a Menticirrhuslittoralis é uma das minhas espécies prediletas para se pescar na modalidade, principalmente as grandes, que são encontradas nas regiões Sul e Sudeste. A média de tamanho fica entre 20 e 25 cm, porém, nestas regiões, podemos fisgar exemplares com comprimento acima dos 40 cm, mas o grande desafio é a captura de exemplares com medidas em torno dos 50 cm.

Equipamentos

Gosto de utilizar equipamentos mais leves, caniços com aproximadamente 3,60 m, e molinetes com tamanho entre o 2500 e o 4000. Para os carretilheiros, recomendo as de perfil alto, tendo como referência as Abu Garcia de 4000 até 6000 ou mesmo outros modelos com perfil baixo que, por segurança, suportem um pouco mais de linha. Eventualmente, acabamos capturando outras espécies, que acabam tomando mais linha. Uso linhas monofilamento 0,16 ou 0,18 mm, ou multifilamento PE 0,6 e arranques (líder) entre 0,35 e 0,45 mm. 

Estes são alguns fatores que fazem com que a sua pesca seja muito prazerosa, além da esportividade. Elas são brigonas, sutis e astutas. Os anzóis não precisam ser grandes, até porque são peixes que pegam por sucção e possuem a boca pequena, quando comparada a muitas outras espécie. Como referência, recomendo o modelo maruseigo, do número 12 ao 14.

É um peixe que pode ser capturado o ano todo, mas sem dúvida alguma é no verão que elas costumam encostar mais. Com exceção do Rio Grande do Sul, onde existe muita fartura e é possível encontrar grandes cardumes, em outras regiões elas costumam aparecer em quantidade menor, mas certamente vale a pena a insistir.

Hábitos e alguns truques

Como são peixes que costumam comer no fundo, elas possuem a boca bem na parte inferior da cabeça. Recomendo chicotes e pernadas mais longas. Como já apresentado por aqui, costumo utilizar o modelo tradicional com a chumbada fixa embaixo e dois rotores, com pernadas com aproximadamente 80 cm, e também um outro modelo em que utilizo a chumbada solta no meio do chicote, podendo correr livremente por toda a sua extensão, e o anzol fixo na extremidade inferior do mesmo. Este segundo modelo é bem interessante, pois o peixe, a princípio, não sente o peso da chumbada.

Como as pernadas são longas, o ideal é que elas estejam sempre bem esticadas. Para isto, é interessante utilizar linhas de fluorcarbono, que além de resistentes a abrasão são mais fáceis de manter esticadas, bastando dar um tranco seco ou aquecê-la, friccionando apenas com a ponta dos dedos, polegar e indicador, com bitolas que variam entre 0,33 mm e 0,40 mm. Já para o chicote, 
vai depender do peso das chumbadas. Normalmente utilizo entre 0,40 mm e 0,45 mm.

Para este tipo de pescaria, gosto de dois modelos de chumbadas, pirâmide e pião. Estes dois modelos costumam correr menos, fazendo com que a isca trabalhe apenas no raio de ação do comprimento da pernada, de acordo com o movimento do mar, explorando exatamente algumas características morfológicas e de hábitos desta espécie. O peso vai depender das condições do mar e também da distância que eu quero buscar. Algumas vezes, o canal pode estar mais distante, principalmente em praias mais rasas e durante as marés cheias, podendo variar de 70 até 135 g.

Basicamente, para todo o tipo de pescaria, prefiro as marés grandes, que ocorrem nas luas nova e cheia, quando temos uma variação maior entre a mínima e a máxima (amplitude), buscando explorar o período entre a enchente, reponto e vazante. Sempre procurando dar uma boa observada, tentando encontrar os canais mais fundos, lagamares e canais de retorno. Na edição de outubro (262), em nossa seção Fishfinder, fizemos a explanação e uma ilustração que certamente irão ajudar a encontrar os canais, principalmente os paralelos.

Outro detalhe extremamente importante é a forma de iscar. Devemos sempre tentar manter a ponta do anzol exposta e, quando utilizamos o fio elástico para amarrar a isca, procurar não deixar que a mesma fique muito emborrachada, fazendo que ela tenha uma melhor apresentação e também para facilitar a fisgada.

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