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Pescaria de bagre catfish no Rio Turvo

por Rodrigo Amaral
Postado em 27 de Setembro de 2017

A espécie tomou conta do Rio Turvo, em São Paulo, “atrapalha” a procriação de outros peixes, mas faz a alegria de quem sabe aproveitar sua pescaria

Um dos rios mais importantes do noroeste paulista está correndo perigo. Um invasor de grande poder de destruição está dominando o pedaço, com sua voracidade e grande capacidade de procriação. O bagre africano vem aos poucos se tornando a espécie dominante do Rio Turvo, um importante afluente do Rio Grande. 

O rio, que nasce no município de Monte Alto, e cuja foz está na cidade de Cardoso, no interior de São Paulo, abrange em seu percurso aproximadamente 300 quilômetros de extensão e banha 21 cidades. É repleto de lagoas e de corredeiras que em alguns casos formam quedas d’água magníficas, como a famosa cachoeira do Talhadão, no município de Palestina. 

Com todos esses atributos, o rio se credencia como um dos mais importantes do Estado de São Paulo, principalmente no que se diz respeito à procriação de peixes. Tema fama de ser um berçário natural, pois dá aos peixes as condições ideais para a reprodução, devido às já citadas corredeiras e às inúmeras lagoas existentes em seu percurso, o que reforça mais a preocupação com o invasor.

Como o bagre foi introduzido no rio ainda é um mistério, porém existe uma grande chance de ser por irresponsabilidade de quem, abusando, coloca espécies não nativas em represas próximas, sem a devida segurança. Fora o bagre africano, temos outros registros parecidos espalhados pelo Brasil, porém esse peixe de couro chama atenção pelo seu alto poder de destruição.

Hora de pescar!

Mas, como diz o ditado, “quem não tem cão, caça com gato”,  e, assim, se o bagre não é um peixe nativo, por outro lado é muito voraz e de fácil captura. Quando fisgado, dá muito trabalho ao pescador, pois impõe muita força na linha, e é isso que nós pescadores esperamos dos peixes quando vamos pescar. Essa emoção do outro lado da linha o bagre africano nos dá de sobra, tornando sua pescaria muito agradável e emocionante. 

Sabendo desses atributos, coloquei meu barco na água e fui atrás dos bigodudos.O melhor de tudo mesmo foi estar com os meus filhos, pois eles também se divertiram muito. 

Em dois dias de pesca, pude capturar mais de 20 peixes, muitos com peso acima de 5 kg e culminando em um exemplar de 7,5 kg. Porém temos vários relatos de peixes maiores, chegando a 9 kg. É a fartura de comida, como se estivessem vivendo em um lago particular.

Fica aqui a dica, pois essa é uma pescaria pouco aproveitada pelos pescadores da região.

Bom proveito

Um dos poucos pescadores que aproveitam a fartura de bagres do rio é o senhor Milton. Vivendo da pesca, ele chega a capturar cerca de 150 kg de bagre em um único dia, usando apenas vara de bambu e minhoca como isca. Daí dá para se ter ideia da quantidade de peixe existente no rio. 

Tive o prazer de pescar um pouco na companhia de “seu” Milton, e pude presenciar a sua técnica de pesca, indo de barco até as entradas das lagoas, apeando e batendo a pé em toda a extensão delas. O que mais me impressionou foi que, com a escassez de água, devido à falta de chuva, durante o mês de setembro, ou seja, no auge da estiagem, as lagoas estavam praticamente secas, tendo no máximo um metro de profundidade. Em alguns lugares a água chegava a 30 ou 40 centímetros, e mesmo assim foi possível capturar os bagres.

Iniciativa pública

Conversando com o deputado Sebastião Santos (PRB) no Pesca Trade Show deste ano, fui informado da ideia de um projeto que pode ser bem interessante para tentar diminuir o número de  bagres africanos no rio. 

O projeto consiste em liberar a pesca do bagre para pescadores profissionais na época de defeso. O peixe capturado seria comprado por uma empresa de processamento e posteriormente transformado em hambúrgueres, e a seguir seria doado a creches da região. 

Penso que não haveria necessidade de ser liberado na piracema. Vejo poucos profissionais atrás da referida espécie, devido ao baixo comércio desse pescado. Mas, na medida em que você dá garantia de venda aos pescadores, eles passarão a capturar a espécie o ano todo, fazendo com que o objetivo do projeto, que é a diminuição dos bagres, seja alcançado. 

Onde pescar

Para quem se interessou em pescar bagre africano, a dica é a seguinte: o local ideal seria na cidade de Orindiuva (SP), que fica a 3 km do rio. 

No Turvo, em si, não há estrutura de pesca. Sendo assim, o pescador deverá levar todo equipamento, incluindo barco e motor. 

Como isca aconselho tuvira, pois aumenta a chance de se pegar outros peixes, como dourado e tabarana, muito comuns na região, mas podem ser usados minhoca ou lambari.

Equipamento utilizado:
Vara Contender da Marine Sports 17 lb
Vara Diamante da Sumax de 20 lb
Carretilhas Curado da Shimano e Lubina Black Window da Marine Sports
Linha multifilamento Power Pro 20 lb
Cabo de aço flexível de 40 lb
Anzol Owner SSW Inline 5179 7/0

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