Fique por dentro!

Pescaria de caiaque no mar

por Tuba
Postado em 14 de Dezembro de 2017

Editor técnico leva dois amigos para pescaria eletrizante no Sul da Bahia

A pescaria de caiaque no mar requer planejamento e a escolha do melhor equipamento possível. Além disso, precisa de um apoio.  A ideia foi colocar os caiaques a bordo da minha lancha Wahoo - uma Mares 30 com dois motores de 250 HP - que serviria como base de apoio durante toda a duração da pescaria, além de conduzir os caiaques a muitas milhas da costa.

Na véspera da pescaria a transportadora descarregou na sede da Bahia Sportfishing dois caiaques Brudden Samurai Fishing. Um verde claro com preto e um roxo com preto. Logo de cara ambos já impressionam pela beleza, com ótimo acabamento, praticidade e robustez. Uma caixa térmica perfeitamente adequada ao bagageiro e um confortável banco se destacaram nessa plataforma para pesca.

No dia seguinte, recebemos o João e o André. Eles estavam super ansiosos pela pescaria. Conversamos muito sobre quais seriam os equipamentos.  Em um dos Samurai Fishing, eu instalei um fishfinder com chartplotter “Raymarine Dragonfly 5 Pro” para ajudar a localizar os peixes e se orientar sobre os pontos de pesca.

Já no dia da pescaria carregamos os caiaques a bordo da Wahoo e partimos para uma região conhecida como “aracanguira”, a cerca de 10 milhas náuticas da barra de Canavieiras (BA). Essa região fica próxima do talude continental e a profundidade varia de 40 a 60 metros. Ela é frequentada por várias espécies oceânicas, como dourados-do-mar e cavalas. 

O que faríamos era basicamente navegar contra a correnteza até uma certa distância desses pontos e colocar os caiaques na água. A lancha deveria ficar acompanhando a partir de uma distancia em que o barulho dos motores não atrapalhasse. Mas ao mesmo tempo próxima o suficiente para dar qualquer tipo de apoio.

Começo empolgante

Depois de poucos minutos, já percebemos que o André estava com um peixe engatado. Com certeza um dourado, que saltava inúmeras vezes. Suas cores em tons de amarelo e verde contrastavam incrivelmente com a tonalidade azul da água do mar. Essa foi a hora de aproximar a lancha e fazer algumas fotos antes que o peixe fosse liberado. 

A empolgação do André e a do João era extrema. Trabalhar com um peixe a bordo de um caiaque é incrível. Você consegue sentir toda a emoção, com muita intensidade, pois está muito próximo da água e do peixe. Esse tipo de embarcação é absolutamente silenciosa no deslocamento.

Depois de algum tempo nessa área e alguns peixes capturados embarcamos novamente os caiaques na Wahoo e navegamos mais umas 5 milhas para a direção leste, rumo a uma região chamada “Beiradinha”. Ela tem esse nome porque fica exatamente na beirada nordeste do Banco Royal Charlotte e  recebe intensas correntes oceânicas. Com isso tem muita vida marinha.

A profundidade nessa área varia de apenas 40 metros a mais de 1.000 metros  em menos de uma milha. Portanto, o barranco formado pela plataforma continental é muito íngreme, fazendo com que a corrente do Atlântico tenha um movimento ascendente ao encontrar com essa “rampa” e traga muitos nutrientes para a superfície. Essa região é a ideal para encontrar os grandes peixes pelágicos, como atuns, cavalas-wahoo e os peixes de bico.

Em busca dos grandes

Como a velocidade dos caiaques depende exclusivamente da propulsão manual, ela não é muito elevada. Por isso eu recomendei o uso de miscas com barbelas bem grandes,  que conseguissem ter boa ação e profundidade com pouca velocidade.

Algum tempo depois e muitas remadas eu percebi que André estava trabalhando com um peixe grande, pois seu “Safari fishing” estava se movimentando rapidamente, sem que ele remasse. O caiaque estava até deixando um rastro na água. Mais do que depressa nos aproximamos para dar apoio e fazer as fotos.

Foi realmente incrível ver a estabilidade do Safari em mar aberto e lidando com um peixe grande. Em momento algum André perdeu o controle ou estabilidade, mesmo com os remos colocados no suporte lateral, para não atrapalhar na briga com o peixe. O apoio da ótima cadeira foi fundamental nessa hora.

Muitos minutos depois, uma silhueta prateada apareceu próxima da superfície, mostrando que o peixe era uma magnífica cavala-wahoo com provavelmente mais do que 20 kg. Uma captura realmente notável a bordo de um caiaque.

Depois que o peixe estava tranquilo ao lado do Safari Fishing, encostamos com a Wahoo ao lado do André para ajudar a colocar o peixe a bordo do caiaque. Esse foi o único momento em que usamos a lancha para apoio, pois a intenção era fotografar e soltar o peixe. Isto seria um pouco difícil de fazer sozinho em um caiaque. Principalmente embarcar o peixe sem bicheiro e depois liberar novamente

Alguns minutos depois foi a vez do João engatar outro peixe que minutos depois constatamos ser outra wahoo, que foi devidamente embarcada fotografada e liberada.

Valeu à pena!  

Essa nossa aventura única serviu para mostrar que a pesca com caiaques não tem limites. Para isso basta ter equipamento adequado e ótima disposição

Caiaques para o mar devem ser muito estáveis, ter ótima flutuabilidade e terem cores contrastantes, para serem avistados a partir de longas distâncias. Além disso, todo o equipamento de segurança como coletes, água doce, um GPS portátil e até mesmo um radio VHF portátil não devem ser deixados de lado.

O uso de roupas com proteção solar também é necessário, assim como o uso de bonés ou chapéus e um bom óculos polarizado. 

Newsletter

CADASTRE-SE E RECEBA TODAS NOSSAS NOVIDADES!

comentários