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Técnicas para pesca de tilápia em pesqueiros

por Alexandre Olo
Postado em 08 de Janeiro de 2018

Espécie é manhosa e exige boas escolhas de quem pretende pesca-la

Quais seriam boas técnicas para pesca de tilápia em pesqueiros? Antes, devemos saber se  é verdade que este é o peixe mais manhoso de se pescar? 

Verdade! Muitas são as técnicas utilizadas para se fisgar essa espécie tão apreciada e cobiçada; porém, se não forem bem empregadas, os resultados podem ser frustrantes. Podemos exemplificar com um fato muito comum e que testemunhei ao longo dos anos: dois pescadores, um ao lado do outro, porém somente um deles obtendo sucesso nas capturas. 

Pode ser até divertido para quem observa, mas para quem não está conseguindo pescar é uma situação nada agradável. Muitas vezes, a solução para esse impasse pode ser mais simples do que pensamos.

Um ajuste aqui, outro ali, uma massa no ponto certo ou isca diferente pode mudar o cenário e definir quão produtiva será a pescaria.

Podemos citar várias opções para capturar a espécie; porém, uma delas em especial aparece quase sempre no topo da lista desde que a pesca de tilápias começou a ser difundida: a pescaria feita com vara de bambu ou telescópica, como é conhecida em sua versão moderna. Quem nunca pescou uma tilapinha com vara de bambu caipira ainda deve experimentar... eu mesmo já cheguei até a quebrar algumas quando fisgava exemplares de porte avantajado, e realmente é uma sensação indescritível que de vez em quando tenho vontade de reviver.

Pescadores, geralmente de ascendência japonesa, dominam essa técnica como ninguém; portanto, se você tiver oportunidade de aprender com um deles, aproveite ao máximo as informações e dicas, pois servirão muito para suas futuras pescarias.

A técnica utilizada com vara lisa ou telescópica não é tão simples quanto aparenta. Muitos podem achar que é só colocar a isca na ponta da linha e esperar o peixe pegar que a fisgada é certa. Porém, na maioria das vezes não é o que acontece. Então vamos a algumas dicas que podem melhorar a visualização das investidas do peixe na isca e a hora certa da fisgada, facilitando a vida do pescador.

Sem uso de boia
Quando o pescador se inicia nesse tipo de pescaria, geralmente acaba optando pelo uso de boinha (isopor ou palito) e chumbinho, o que podemos definir como uma montagem básica. Com o tempo, começa a perceber que a quantidade de capturas aumenta à medida que diminuem os acessórios ou apetrechos que geram resistência e facilitam a percepção dos peixes. Contudo, podemos fazer uso de alguns macetes que irão nos ajudar no visual e ainda deixar a linha praticamente livre, somente com o anzol na sua extremidade.

• Linha colorida
Em muitas ocasiões perdemos a fisgada por não conseguir visualizar o momento em que a tilápia está carregando a isca e, consequentemente, movimentando a linha. Então, na hora da montagem, o ideal é utilizar um pedaço de monofilamento de cor fluorescente (laranja ou verde) de mais ou menos 40 cm, que deve ficar entre a ponta da vara e a outra parte da linha que vai até o anzol. Mesmo em dias em que há incidência de ventos, ainda assim é bem eficaz. 

• Bolinhas de EVA
Consiste em colocar na linha três ou quatro bolinhas de EVA colorido que devem ser reguladas para flutuar na barriga da linha, sendo que a última deve tocar a água, pois assim que ela afundar indicará a hora certa da fisgada (foto 1). Em situações com incidência de vento, para um melhor resultado, o ideal é que em vez de flutuar na barriga da linha, boiem sobre a água (foto 2).

A montagem pode ser feita com um ou dois anzois, de preferência pequenos. Utilizo os modelos Tinu (Crown) nº 5 ou 6, porém o modelo Maruseigo de tamanho proporcional também funciona muito bem. Se a montagem for feita somente com um anzol, é só amarrar no final da linha, mas se o pescador optar por usar dois anzois, o uso de um pequeno girador triplo pode ser bem interessante.

Quando a telescópica não alcança
Nos dias de hoje, o pescador pode até ser conservador em seus costumes e hábitos; porém, em algumas situações, o jeito é abrir mão do orgulho e ceder às novas técnicas que vão surgindo.

Sendo a tilápia uma espécie muito manhosa e arisca, quanto mais natural for a apresentação da isca, maiores serão as chances de sucesso nas capturas. Em alguns dias e horários, pode ocorrer de as tilápias não encostarem próximo à borda ou margem, dificultando a vida do pescador. Isso pode acontecer devido à alguns motivos: movimentação e barulho; presença de algum predador natural nas proximidades (piraras, pintados) ou simplesmente porque estão concentradas mais pro meio do tanque (zona de conforto). 

Com relação às duas primeiras situações, realmente quase não há o que se fazer, pois não estamos pescando em um local particular, podendo controlar barulhos e coisas do tipo e com relação aos predadores, só se deslocarão do local após capturarem sua presa ou se forem territorialistas (traíras), dificilmente mudam de ponto.

No caso da terceira situação, podemos desencadear algumas opções, já que teremos que partir para uma pescaria de arremesso, que pode ser realizada utilizando técnicas de fundo, meia-água ou superfície (técnica essa que costuma ser palco de belas brigas com exemplares que podem chegar aos dois dígitos de peso).

Se a idéia inicial for continuar utilizando massas e iscas de fundo, costumo empregar varas de no máximo 14 a 17 libras para carretilha ou molinete, munidos de linha de monofilamento entre 25 e 30 mm. Com relação à montagem, podemos usar um girador triplo, sendo que uma das extremidades amarramos à linha principal e, nas outras duas, montamos dois chicotes de aproximadamente 30 e 40 cm. O ideal é não utilizar chumbo, ou seja, devemos arremessar usando somente o peso da massa, deixando menos perceptível e ao mesmo tempo mais sensível às investidas das manhosas.

O uso de equipamentos leves ou até mesmo ultralight, além de facilitar na hora dos arremessos, ainda tem ganho expressivo em sensibilidade e esportividade. 

Na hora de fazer a massa, a dica é deixá-la o mais macia possível, porém não podemos nos esquecer de que deve estar com consistência suficiente para que não se solte do anzol na hora em que formos realizar os arremessos. 

Geralmente, nos meses mais frios, quando estão menos ativas, costuma-se conseguir bons resultados com essa técnica. Com a chegada da primavera e dos meses mais quentes do ano, a tendência dos peixes é sair do fundo para a superfície em busca de alimento.

A partir daí, a mudança de técnica torna-se necessária e começamos a optar pelo uso das boias de arremesso ou torpedinho, variando as opções de montagens e tamanhos de chicote de acordo com cada situação, até encontrarmos uma que chegue ao resultado esperado, demonstrando eficácia nas capturas.

Mistura de técnicas

Em algumas situações pode ocorrer de as tilápias serem atraídas pela ração flutuante usada geralmente para ceva dos redondos. Nesse caso em específico, um artifício que aprendi com um fanático pela espécie pode fazer a diferença.

Em uma de minhas incursões na tentativa de capturar as grandes tilápias, acabei aprendendo esse sistema de montagem que, além de muito simples, se mostrou bem produtivo e eficiente na captura principalmente das tilápias de maior porte, que talvez por questão de vivência acabam ficando bem mais manhosas e difíceis de serem fisgadas em comparação às menores.
Podemos dizer que a ideia surgiu de uma mistura de técnicas: isca artificial, fly e pesca de arremesso com ceva.

Para iniciar a montagem vamos utilizar uma isca artificial do tipo zara. Usei uma Dr. Spock da KV, mas podemos empregar qualquer uma que tenha formato cilíndrico e de preferência cores cítricas, para facilitar a visualização. Após retirarmos as garateias, fazemos um furo na parte traseira da isca e retiramos as esferas de metal. Depois é só preencher o espaço interno com EVA e vedar com silicone ou cola do tipo araldite.

Após a secagem, a isca fará o papel de uma boia, só que muito mais discreta quando entrar em atrito com a água na hora dos arremessos, evitando assim de espantar ou assustar as tilápias mais ariscas. Para finalizar, é só amarrar em uma das sua extremidades um chicote de aproximadamente um metro, que deverá ter na ponta uma imitação de ração feita de cortiça ou EVA daquelas usadas na pesca de fly.

A dica é ir cevando aos poucos, geralmente com uma pá de ceva ou estilingue, que podem ser adquiridos em lojas de pesca ou até mesmo feitos de maneira artesanal, e arremessando no local. O equipamento utilizado deve ser de no máximo 17 lbs, devido a pouca resistência da pequena isca de fly, que pode não aguentar se for muito exigida na briga com o peixe.

Para uma melhor visualização do ataque, podemos revestir a parte superior da ração (cortiça) com EVA de cores fluorescentes ou branca, caso ainda não houver sido confeccionada.  Assim que a tilápia investir na isca, a fisgada deve ser rápida e precisa, antes que ela perceba e acabe repelindo-a.

Com certeza a pescaria de tilápias, além de interessante e técnica, é também muito prazerosa e pode nos proporcionar boas brigas e belíssimas fotos.

Material utilizado
Pescaria com vara de mão: vara Bolero (2,70) e vara Pérula (3.60), da Saintplus, com linha Crown de 0.30 mm. 
Pescaria de arremesso: no fundo, vara Galaxy e molinete Truly 500, da Saintplus; na superfície, conjunto de vara e carretilha Triton (Saintplus) com linha Crown Fibersoft de 0.25 mm (fundo) e 0.30 mm (superfície).
Anzol: Tinu nº 5 ou 6 da Crown.
Massa: Subarashi (panetone/milho verde/carnívora clara).

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