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Pescaria de piaparas e pacus ao mesmo tempo

por Maicon Bianchi /Fotos: João Vitor Mercuri e Rodrigo Amaral
Postado em 16 de Outubro de 2017

Aproveite a vizinhança das espécies para ter uma farta pescaria

Piaparas e pacus são espécies bastante procuradas pelos pescadores brasileiros, devido à sua esportividade e suas astúcias na captura. Apesar de serem peixes diferentes em suas cores e formatos, são espécies que podem ser encontradas no mesmo ponto de pesca, habitam os leitos dos rios, poços e margens. Estão sempre em busca de alimento, que varia entre uma série de itens animais e vegetais, de pequenos peixes e crustáceos a folhas, frutos, milhos, entre outros. 

A preparação de todo o material se dá alguns dias antes, com a arrumação das “traias”, elaboração de ceva, iscas, entre outros artigos que envolvem essa pescaria. Selecionamos para você, leitor da Pesca & Companhia, valiosas informações de nosso consultor Juninho, especialista nessas espécies:

Ceva:
Detalhes que fazem a diferença, começar semanas ou até meses antes. É algo cheio de variáveis e fórmulas. Uma para cada circunstância.

A princípio, podemos até pensar por que um peixe iria comer uma semente, de milho ou de soja, que ele não encontra normalmente no rio. Mas, ao analisarmos profundamente a questão, perceberemos que esses alimentos cultivados pelo homem contêm grandes índices de proteína, cálcio, fósforo, fibra e gordura. O peixe logo os identifica, por meio do olfato,  como uma boa fonte de energia.

Quando for preparar a mistura, alguns cereais (milho, soja, arroz e seus derivados, como quireras e farelos) e algumas sementes menores (sorgo e painço) não poderão faltar. 

Tudo isso porque os pesos e formas diferentes ao serem carregadas pelas correntes do rio atingirão diversas distâncias. Outros grandes aliados na mistura e de alto poder de atração, por terem índices acima de 50% de proteína bruta, são a farinha de peixe, farelo de soja, sangue in natura e rações específicas.

Composição e modo de preparo:
o    50% milho
o    30%  soja 
o    10%  quirera milho
o    5%  quirera de arroz
o    5% painço
o    sangue de boi e farelo de arroz a gosto.

Deixe o milho na água de sete a dez dias, até que ele inche e fique  mole, tornando mais fácil de ser digerido. Proceda da mesma maneira  com a soja, a quirera de arroz e o milho. A penúltima deve permanecer na água  apenas 24 h e a última, no mínimo, três e no máximo cinco dias; em seguida deixe a água dos ingredientes escorrer bem. 

Com o auxílio de uma peneira, deixe cada um por um breve período, depois coloque um sobre o outro e misture com uma pequena enxada. Puxe de um lado para o outro, de três a cinco vezes, dependendo da quantidade, até que a mistura fique homogênea. Mesmo com a ausência de água, é possível perceber que a mistura está encharcada. 

Nesse momento, pode ser adicionado o farelo de arroz aos poucos. Tome cuidado que o contato com a água, pois o farelo tem tendência a triplicar seu tamanho, ocorrendo o mesmo  com todos os outros ingredientes citados acima. 

Vá adicionando e misturando, até ficar a seu gosto. Para finalizar, acrescente o sangue, que tem o inconveniente de estragar facilmente. Como o manuseio é complicado, uma boa dica é congelar ou comprar apenas o necessário para a pescaria do finaldesemana e adiciona-lo à ceva pouco antes da pescaria.

Cevador

Existem diversos modelos de cevadores em PVC ou metal,  importantíssimos para o bom resultado de sua ceva. Encontre, então, algum que seja ideal para as suas pescarias e descubra com exatidão certas manhas, como o tempo para que o trato de cada regulagem  se esgote. 

Descubra o tempo real que a ceva leva para terminar, e coloque o cronômetro em seu relógio, para que  seja avisado  do momento certo para abastecer o cevador.
Isso é muito importante, tanto que, quando estou em meio a barcos enfileirados lado a lado, por causa da grande oferta de ceva naquele local faço com que o peixe não abandone o raio de ação de meu barco.

Isca: milho cozido

Simples e funcional, atrai não só piaparas, mas também pacus, piauçus e piracanjubas.

O preparo pode ser feito em sua casa, com o auxílio de um fogão. Em pousadas especializadas em que o milho cozido é vendido em baldes de 20 litros, o dono chega a cozinhar até um saco de 60 kg de uma só vez em um fogão industrial ou a lenha, bem rústico, feito de tijolos. Nesse caso, o importante é prestar atenção para não deixar faltar água. Assim que o milho amolecer e começar a rachar, estarão no ponto. Desse modo ficará mole e livre de odores.

Técnicas empregadas

A pescaria de espera: no “balancinho”, use varas longas (2,7 m), na técnica que consiste em deixar a vara balançando apoiada na caixa de pesca ou outro acessório. Para que tenha um bom controle da gangorra, é necessário envolver na haste da vara uma corda PP 1,5 mm, em espiral, e colar com cola de secagem rápida. Com isso, terá maior certeza na hora em que o peixe encostar em sua isca, pois a sensibilidade fica extremamente aguçada com a visualização maior de movimentos, o que gera muito mais produtividade.

Equipamento: vara 2,7 m, linha monofilamento 0,35mm, anzóis maruseigo em números 12, 14 e 16 e chumbadas dependendo da força das águas.

Pescaria de rodadinha: a técnica é soltar linha da carretilha até que o chumbo encoste no fundo, levantando o chumbo novamente e soltando mais linha, repetindo a operação várias vezes até encontrar o possível peixe.

Equipamento: vara 1,30 m de 07 a 17 libras de resistência, linha monofilamento 0,28mm, anzóis maruseigo em números 10,12, 14 e 16 e chumbadas dependendo da força das águas.

Dica: Quando estiver junto a outros pescadores, seja em pousadas, seja mesmo nas longas fileiras de barcos que ficam lado a lado no rio, o intercâmbio de informações preciosas é muito grande. Sem dúvida é a hora perfeita para aprender muito sobre os hábitos e as preferências gastronômicas dos peixes naquelas águas. Então, não seja tímido. Faça novas amizades. Pergunte e fornece informações quando solicitado. Assim, muito mais peixes serão fisgados por todos.

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