Dicas de Pesca

As melhores iscas para pesca de praia

por Vladimir Ferreira
Postado em 01 de Dezembro de 2016

O Brasil possui uma vasta costa marítima, portanto as opções de iscas naturais para esta modalidade também são enormes, assim sendo, gostaria de destacar as mais utilizadas

Existem certas iscas para a pesca de praia que podem ser consideradas infalíveis. Fiz uma relação e um detalhado descritivo de cada uma delas. Aproveite!

Camarão

Esta é, sem dúvida alguma, a mais utilizada. Sendo assim, nada melhor que começar esta abordagem por ela, dando algumas dicas importantes, desde a sua escolha na hora de comprar, preparação, armazenamento e também algumas maneiras de iscar.

Exatamente por conta da extensa costa marítima do nosso País, existe uma grande variedade de espécies. A mais comum de ser encontrada e também a mais em conta é o sete-barbas. 

Para comprá-los, sempre vou aos entrepostos ou nas colônias de pescadores, procurando conseguir o mais fresco possível, que normalmente ocorre bem cedo ou no final do dia.

Para saber se eles estão realmente frescos, basta observar a coloração, brilho e a aparência do "lote". Fique atento: em alguns lugares, costumam fazer o que eu chamo de montinho, que é deixar os mais frescos e vistosos em cima, deixando por baixo as sobras dos dias anteriores. Infelizmente esta pratica é comum. 

O camarão pode ser iscado de diversas formas. Pode ser descascado, e iscado em filé, pedaços, com casca sem cabeça ou inteiro. Para cada situação e espécies de peixes devemos fazer a opção pela forma de isca-los. Peixes recifais gostam mais do camarão com casca. 

Corrupto

No quesito eficiência e versatilidadeé a melhor de todas as iscas, na minha opinião, pois ela captura praticamente todos os peixes que frequentam as nossas praias. 

O corrupto é um crustáceo encontrado em praticamente toda a costa brasileira, basicamente em praias rasas, com grande faixa de areia fina e compacta, que sofrem bastante influência das marés, sendo possível encontrar apenas na vazante e nas marés baixas. 

O animal pode ser utilizado vivo, congelado in natura ou desidratado.Porém é uma isca extremamente exigente, no que diz respeito a sua conservação, preparação e para iscar.

Uma grande vantagem é que eles podem ser capturados pelo próprio pescador. Atualmente eles são encontrados a venda congelados em algumas lojas de pesca e pontos de venda de iscas nas cidades litorâneas. 

Caso estejam vivos, podem ser presos ao anzol, esticados ou dobrados. Para isso, sempre recomendo o uso do fio elástico para pesca, que mesmo assim não permite arremessos muito longos, pois facilmente se rompe e sai do anzol. 

Eles também podem ser utilizados desidratados, com a ajuda de sal grosso, principalmente os vermelhos, que ficam mais firmes e podem ser iscados da mesma forma que os vivos, além de poder ser arremessados um pouco mais longe. Outra forma bastante eficiente de iscá-lo desidratado é cortando a sua cabeça e o rabo, utilizando apenas o meio (parte gelatinosa). Desta maneira, ele pode ser utilizado inclusive nos arremessos mais longos.

Tatuíra ou tatuí

Muito utilizada, a tatuíra é outro crustáceo que tem como habitat preferido as praias de tombo, em que a areia é mais grossa e fofa. Também pode ser encontrado em grande parte do país.

No litoral norte de São Paulo, onde realizo grande parte das minhas pescarias, não possuímos muitas opções de praias. Destacaria apenas três: Massaguaçu e Capricórnio, em Caraguatatuba, e Vermelha do Norte, em Ubatuba.

Outra grande vantagem é que nós mesmo podemos capturá-la. Para isso, uso um puçá apropriado, que fui descobrir em Santa Catarina — antigamente eu cavava com as mãos, mas a produtividade era muito pequena.

Para iscá-la eu retiro com cuidado a casca das costas e corto a sua cavadeira, transpasso o anzol e amarro com fio elástico, sem apertar muito, deixando a ponta do anzol exposta. Ela troca a casca em determinados períodos da sua vida, fazendo com que fique bem fina e macia, mais conhecida como tatuíra de casca mole, período que fica extremamente atrativa. Neste caso eu não cravo o anzol, pois ela é muito mole, apenas encosto o anzol e faço a amarração.

Na pesca de praia, a tatuíra costuma atrair diversas espécies. Destacaria os pampos, betara (papa-terra) e espécies recifais — entre elas as cobiçadas miraguaias — principalmente nos estados do sul do país, como  Santa Catarina, em que vou anualmente para capturá-las. É um peixe muito brigador e que atinge tamanhos impressionantes.

Sarnambi, maninim, moçambique ou dente-de-cavalo

Esta é mais uma grande opção de isca, também encontrada em diversas regiões, principalmente no sudeste e sul do país. Da mesma forma que as anteriores, ela é eficiente e versátil. Normalmente é encontrada no mesmo tipo de praia que a tatuíra, praias de tombo e areia grossa.

É um molusco que vive dentro de conchas bivalves. Ele pode ser utilizado sem a concha ou com ela quebrada. Em Maricá, no Rio de Janeiro, estão conseguindo capturar belos pampos com esta isca, que também podem ser facilmente obtidas com os próprios pescadores.

Quando a utilizo, costumo colocar umas três de cada vez no anzol. Também é muito eficiente para diversas espécies que costumam ficar mais próximas a linha d’água.

Via de regra, o grande segredo para aumentar a eficiência das iscas é a forma de iscar, procurando sempre deixar a ponta do anzol exposta, e a utilização do fio elástico, que minimiza o problema de queda durante os arremessos. Mas é importante salientar que isto deve ser feito sem exagero, o que certamente não deixa as mesmas atrativas e até mesmo podem dificultar a fisgada.

Existem outras iscas muito eficientes, mas que são regionais, como a minhoca de praia (poliquetas) encontradas no litoral de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Também temos a concha branca ou concha mole, muito utilizada do Rio Grande do Sul. 

Pequenos peixes vivos e em filé para diversas espécies predadoras, tais como baiacu, anchova, cação, robalo e raias. E até mesmo o camarão vivo, que é difícil de ser encontrado, mas que já me rendeu a captura de belos robalos.

Uma coisa importante que não podemos deixar de destacar é que as iscas que nós mesmos extraímos não devem ser retiradas mais que o necessário para a nossa pescaria. Caso haja sobra, congele e utilize depois.

Temos alguns acessórios que ajudam bastante na hora de iscar, como agulhas feitas de inox para corrupto e tatuíra e iscadores feitos com hastes de inox, para camarão e sarnambi. 

A adequação do anzol ao tamanho das iscas é outro grande segredo. Um dos mitos da pesca é que anzol grande é que pega peixe grande. Não é bem assim. Anzol bom deve ser forte e fisgador e, dentro do possível, servir de complemento, apresentando a isca da maneira mais natural possível.

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