Fique por dentro!

Depois das “matanças”, Araguaia marca reviravolta na vida de Lester

por Lester Scalon
Postado em 14 de Novembro de 2018

Na Edição 286 da Pesca & Companhia, o consagrado pescador conta sobre sua relação com um dos rios mais emblemáticos do país

Ao longo deste tempo nossas dezenas de encontros fizeram o Araguaia se tornar cada dia mais emblemático por inúmeros motivos. Se fossemos contar aqui as pescarias e aventuras de 45 anos, teríamos que escrever um livro com páginas e mais páginas. Elas foram incontáveis ao longo destes anos, no alto médio e baixo Araguaia, sem contar nos vários afluentes que para ele carreiam suas aguas fazendo-o se tornar gigante perto da sua foz. Tive o privilégio de conhecer o Araguaia em seus tempos áureos, época em que a abundância de peixes era gigante, ele foi uma fantástica escola de pesca. 

O meu velho amigo foi um professor e tanto, mas nunca passou a mão em minha cabeça, cobrou caro pelos meus erros, e com certeza isto nos tornou tão próximos. Ele batia com uma mão para ensinar, e nos dava presentes fantásticos com a outra. Foram grandes troféus ao longo destes anos, dois deles estamparam a capa da nossa revista. Se hoje adquiri uma grande experiência na pesca e me tornei o pescador que sou, uma grande parte devo ao grande amigo. 

Os ensinamentos que tive foram do “curso primário” ao doutorado, o pós-doutorado ainda estou cursando, e sei que esta etapa nunca vai acabar, pois a cada nova aventura, ele me dá novos ensinamentos, me mostrando que ainda tenho muito a aprender.

Nas suas águas pratiquei matanças descomunais de peixes, era a cultura impregnada desde criança de “matar Peixes”, mas também ele foi o berço da reviravolta. Esta imagem de 1987 com mais de 60 Pirararas enfileiradas na praia foi o começo da mudança de rumo. Dali em diante comecei um processo de soltar peixes, esta mudança de atitude não aconteceu da noite para o dia, foi com muitas recaídas até se firmar. Entre tantos rios que pesquei na vida com certeza começar este processo no Araguaia, o velho amigo que abriu meus horizontes para a pesca foi mais que merecido.

Naquele tempo éramos pescadores na verdadeira essência da palavra, pois acampávamos em lugares ermos, tínhamos que desvendar e descobrir os locais e pontos de pesca, quais espécies perambulavam por aquelas águas. Aprendemos a fazer a “leitura” dos rios e dos peixes, e quando descobríamos uma técnica ou um local novo, tudo era guardado a sete chaves. 

Não tínhamos guias para nos mostrar os locais e os peixes e a forma de pesca-los como hoje, éramos nós, o rio, muita intuição e talento para descobrir e desenvolver técnicas de pesca, quem nos ensinava era o próprio rio. E meu velho amigo fez, e faz isto como poucos ao longo de minha vida.

A íntegra desta reportagem você confere na Edição 286 da Pesca & Companhia

Newsletter

CADASTRE-SE E RECEBA TODAS NOSSAS NOVIDADES!

comentários